Workaholic convicto
Minha jornada de trabalho semanal geralmente não é menor do que 80 horas. Pode ser um absurdo ou um exagero mas é real, e não é ruim como pode parecer a principio. Eu sou uma pessoa que tem o prazer de fazer o que gosta, de trabalhar naquilo que sempre quis, enfim, sou realizado profissionalmente, e isso é algo que importa.
Tem um frase de Confuncio que diz “escolha o trabalho de que gostas e não terás de trabalhar um único dia em tua vida”, e eu concordo. Quem trabalha com tecnologia tem que gostar do que faz, não tem jeito. Pobre daquele que tem que encarar um código C ou algo do tipo e não gosta daquilo.
main() {
int comp_int(int *, int *);
int (*apcmp)();
int a, b;
apcmp = comp_int;
(*apcmp)(a, b);
}
Mais especificamente, trabalhar com desenvolvimento de software requer paixão. São inúmeros posts em blogs por aí que dizem isso, e não custa repetir: quem faz software tem que gostar se quiser conseguir algum retorno, financeiro ou não. Não é possível ser relevante numa área que exige atualização constante se você não tiver interesse por aquilo. Desenvolver software é estudar, entender, fuçar.
Metade de meu tempo eu sou empregado numa empresa onde adoro trabalhar. Lá tenho oportunidade de fazer coisas novas, desenvolver software de todo tipo (sim, desde pequenos sistemas operacionais embarcados até web sites) e ter contato com novidades que a maior parte de outras empresas só tem acesso quando já viraram carne de vaca. A outra metade dedico a minha empresa, a mindaslab.com, onde desenvolvo projetos de software para clientes de todo o mundo. Ambas me satisfazem profissionalmente, mas ambas exigem muito também.
Na primeira eu trabalho primariamente com C, C++ e Java. C e C++ são linguagens complexas, com conceitos que a maior parte dos programadores hoje não domina, como ponteiros e herança múltipla. E ponteiro é o tipo de coisa que, sabendo usar, quebra um galho enorme. Java é minha companheira de longa data, mais de 10 anos já, e ainda me deixa feliz. Sou extremamente produtivo em Java e C, mas me enrolo um pouco no C++ as vezes. A maior parte de meu desenvolvimento é pra plataforma baixa, sistemas embarcados, usando ferramentas para este tipo de ambiente. E todo dia tem coisa nova para aprender.
Exemplo: começamos a trabalhar recentemente com um conjunto de ferramentas da Keil para o desenvolvimento para ARM. O sistema operacional da Keil é extremamente inteligente e robusto, poderoso e simples. É um RTOS (Real Time Operating System – Sistema Operacional de Tempo Real), e eu estou aprendendo muito com ele (sincronização de processos, fila de mensagens e afins). Mas também estou aplicando muito do que já sei ali visto que alguns conceitos são parecidos com Erlang, que eu estudei por estudar, apenas pelo prazer de conhecer algo novo. Percebe como as coisas se encaixam? Estou tendo uma facilidade muito grande para trabalhar num paradigma orientado a concorrência pois apanhei bastante para fazer coisas simples funcionarem em Erlang.
Na segunda, minha empresa, eu trabalho primariamente com Java e Ruby/Rails. Ruby é hoje minha linguagem de programação predileta por sua capacidade de resolver problemas de maneira fácil, por sua elegância e pelo seu acabamento. E Rails é o melhor framework para desenvolvimento de aplicações web, sem sombra de dúvida. Aprender Rails me possibilitou entender melhor o MVC, e isso me agregou novos conceitos que eu aplico em outros projetos, mesmo em outras linguagens. Enfim, nada é descartável.
Por tudo isso que eu não consigo ver alguém que não tenha sede de saber trabalhando com desenvolvimento de software. O simples fato de ler este post já mostra que você ao menos tem interesse por algo que fuja do dia a dia de sua empresa, de sua rotina, e isso é bom. Desenvolver um bom software nada mais é do que colocar boas ideias em prática através de código, seja ele C, C++, Java, Ruby, Erlang ou até o bom e velho Pascal. Desenvolver boas ideias exige conhecimento, exige interação com outras pessoas, e, mais do que tudo, amadurecer ideias incipientes através do estudo de novos conceitos, da “troca de ideias”. Se você não tiver interesse por aprender, conversar, participar de seminários e eventos definitivamente está na profissão errada.
Comments
6 Responses to “Workaholic convicto”
Æ!!
Sou de total acordo com tudo o que você disse!
Eu gosto bastante de Ruby, mas costumo estudar várias coisas diferentes, tanto por que eu me divirto fazendo isso quanto por aumentar minha experiência e ter opinião formada sobre algumas coisas.
Infelizmente eu não tenho a op
Como eu sempre digo…Workaholic por opção!
Há braços
Isso que é bom, trabalhar no que gosta. Eu trabalho com desenvolvimento a uns 4 anos e eu amo isso e como PotHix falou, é pura diversão, nunca vou parar de aprender. Workaholic! ;D
Belo texto Marcelo, abraços
É, concordo, mas infelizmente algumas empresas e seus pensamentos estúpidos acabam nos frustrando de uma forma… Colocando grilhões nos pés, é o pior a se fazer a um desenvolvedor, que, em minha opinião, é um trabalho criativo.
As empresas, quando fazem isso, matam o que tem de mais importante: a criatividade de seus funcionários. É engraçado por exemplo que algumas empresas impeçam seus funcionários de acessar sites “não relacionados ao trabalho”. Se o cara não pode pensar, não pode ter ideias, por que ele trabalha com o desenvolvimento de ideias?
Valeu Marcio. Não adianta fazer algo por fazer, certo? Vamos em frente e um abraço.
[...] Workaholic convicto – Marcelo Castellani (self); [...]